A semana que ainda agora começou está a ser, no mínimo, agitada. E quando a adjetivo como agitada não o faço num tom elogioso. Pelo contrário. A mim causa-me bastante ansiedade a agitação social.
Não pretendo de todo detalhar, apenas resumir. Do drama instalado pelo programa de uma disciplina de cidadania (noutros tempos seria risível), da brutalidade na partilha criminosa de imagens intimas de outras pessoas, da leveza noticiosa com que se encaram tumultos, da condenação imediata de uns e de outros, do uso da “praça pública” como promoção egocêntrica, tudo nos tem acontecido.
Nos acontecimentos que referi existe um denominador comum e chama-se ignorância. A proliferação das formas de expressão livre através das redes sociais, sejam elas quais forem, dá voz a um conjunto de pessoas que contribuem apenas negativamente para o bem comum, o que, por si só, é uma antítese. É como se a pegada social desta gente que verbaliza ignorância atrás de ignorância, com um orgulho absurdo, valesse o esforço. Não vale.
No acumular de boçalidade, lembro-me de um tempo em que a inteligência foi valorizada. E que o uso da palavra era mais ou menos restrito não por censura mas por humildade, até por algum pejo. Nesse tempo, era aceitável pensar “se existem especialistas, quem sou eu para falar sobre”. Não sou nada saudosista ainda assim parece-me fundamental voltarmos ao intelecto, ao raciocínio, à discussão crítica sustentada, à força do argumento, à razão. Eu que sou toda emoção, preciso urgentemente de pensamento estruturado.

(a fotografia é minha)

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